
O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (MDB-RJ) está de volta a Brasília — e ao jogo. Cinco anos após ter o mandato cassado, o ex-deputado circula pela capital federal disposto a se recolocar no tabuleiro político. Longe dos holofotes, ele se encontra com parlamentares de diferentes partidos, advogados e amigos para amealhar apoio para 2022. Além de trabalhar para eleger a filha Danielle deputada federal pelo Rio, ele cultiva um plano mais ousado: reconquistar seus direitos políticos e disputar uma vaga à Câmara dos Deputados por São Paulo.
Algoz da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) no processo de impeachment, Cunha aposta que a memória do eleitorado antipetista lhe devolverá a cadeira de deputado.
— Minha filha é candidata no Rio, não disputarei com ela. Então penso em ser candidato por São Paulo. Sou muito bem recebido lá — confirmou Cunha ao GLOBO na última quinta-feira,02. — Também não tenho planos de sair do MDB — acrescentou.
A aversão ao PT, no entanto, não impede Cunha de se mirar no exemplo do ex-presidente Lula, que conseguiu se livrar de processos e ficar elegível para disputar as o próximo pleito.
Um dos personagens principais da Operação Lava-Jato, condenado em segunda instância a 15 anos e 11 meses de prisão por corrupção passiva e lavagem de dinheiro, o ex-presidente da Câmara segue trabalhando para anular as ações a que responde. Em comum, Cunha e o PT têm o ex-juiz Sergio Moro como inimigo.
Desde que teve a prisão domiciliar revogada, em maio, Cunha desembarca em Brasília pelo menos duas vezes ao mês. Eleito deputado federal quatro vezes pelo Rio e agora sem mandato, ele retomou a rotina parlamentar de chegar à capital federal no início da semana e ir embora na quinta-feira.
Na primeira vez em que retornou a Brasília após a prisão, encarou uma viagem de 14 horas de carro. Caiu na estrada na companhia de Danielle, filha e herdeira política. Segundo ele, a escolha não foi motivada pela precaução contra possíveis ofensas dentro de aviões e aeroportos, mas pelo medo de contrair coronavírus. O cansaço daquela viagem foi determinante para que passasse a se arriscar em voos comerciais. Ele nega ter sido hostilizado desde então.
O Globo



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