
A Paraíba registrou um aumento de 153,7% nos casos de estelionato por meio eletrônico entre 2022 e 2023, com o número de ocorrências subindo de 406 para 1.030. Este crescimento foi o maior entre as 22 Unidades Federativas que forneceram dados específicos sobre o delito, de acordo com o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, divulgado ontem pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Em contraste, a taxa de mortes violentas intencionais no estado diminuiu 1,9% no mesmo período, com 1.069 casos em 2023 contra 1.090 em 2022.
Além do estelionato eletrônico, outros tipos de estelionato também aumentaram. Em 2023, foram registrados 6.443 casos, em comparação aos 5.669 de 2022. Apesar do aumento, a taxa de estelionatos por 100 mil habitantes foi de 162,1, a menor do país.
A alta nos casos de fraude eletrônica, definida pelo Código Penal como fraude eletrônica, resultou numa taxa de 25,9 por 100 mil habitantes, a terceira menor do Brasil em 2023, ficando atrás apenas do Piauí (17,9) e do Amazonas (22,2).
Por outro lado, os crimes contra o patrimônio mostraram uma tendência de queda significativa na Paraíba. Os roubos a estabelecimentos comerciais diminuíram 46%, passando de 1.142 em 2022 para 617 em 2023. Roubos a residências caíram 34,2%, com 241 ocorrências registradas no ano passado. Houve também reduções nos roubos a transeuntes (-11,2%) e nos roubos e furtos de veículos (-9,8%).
Investimentos em Segurança Pública
O delegado-geral da Polícia Civil na Paraíba, André Rabelo, atribui a redução dos crimes patrimoniais aos investimentos em segurança pública. “Nos últimos anos, reformulamos a Delegacia Online e investimos no Plano de Transformação Digital da Polícia Civil, que hoje está toda digitalizada e informatizada, com as delegacias conectadas. Além disso, com a criação da Delegacia Especializada em Crimes Cibernéticos, preparamos delegados para atender a população local e remeter os casos à delegacia,” explicou Rabelo.
O número de mortes violentas registradas em 2023 foi o terceiro menor da série histórica iniciada em 2011. Rabelo destacou os investimentos na Delegacia de Homicídios e a nomeação de cerca de 500 servidores pelo governador João Azevêdo como fatores chave para a redução desses crimes. “Há uma política permanente de troca de informações com outros estados, investimento em inteligência e apoio à investigação de campo. Aumentando a elucidação dos casos, naturalmente se consegue mais condenações e diminuição dos crimes,” afirmou o delegado-geral.
Migração dos Crimes para os Meios Eletrônicos
A queda nos crimes contra o patrimônio também reflete uma tendência nacional de migração dos delitos para os meios eletrônicos. Conforme o Anuário Brasileiro de Segurança Pública, essa migração é impulsionada pelo aumento do uso de tecnologias digitais para gerenciar aspectos da vida cotidiana e pela menor probabilidade de confrontos com a polícia em crimes eletrônicos.
“No caso dos estelionatos cometidos por meios eletrônicos, a situação muda completamente de figura. O criminoso não precisa estar presencialmente diante da vítima e usar armas ou organizar uma estrutura física para um eventual confronto com as forças de segurança. Ou seja, as tecnologias digitais servem de escudo para o criminoso que pode atuar deixando menos vestígios e com chances ínfimas de confronto,” conclui o documento.
Essa mudança no perfil dos crimes aponta para a necessidade de novas estratégias e tecnologias para combater fraudes eletrônicas e proteger os cidadãos no ambiente digital.
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