
Tarcísio de Freitas e Fernando Haddad se encontraram nesta quarta-feira e produziram a imagem do dia (foto). O governador de São Paulo, próximo de Jair Bolsonaro (PL), e o ministro da Fazenda do governo Lula (PT) discutiram a reforma tributária como deve acontecer nas democracias: sem concordância absoluta, mas com civilidade.
Haddad também tem se mostrado muito mais racional do que seus colegas do PT, que hoje pediram ao presidente do Senado que interfira no Banco Central. Segundo eles, o fato de que o último relatório do Copom não teve votação unânime abriria margem para uma devassa no órgão e para que a opinião dos diretores que ficaram na minoria e acatam a visão petista — de que a redução na taxa de juros deve ser radical e imediata — se sobreponha à da maioria. Impotentes para aniquilar a autonomia do BC, os petistas capitaneados por Gleisi Hoffmann querem uma intervenção branca, criando uma espécie de BCdoB…
Democracia não é dança de salão. Inclui uma dose considerável de atrito, até mesmo de empurrões verbais. Mas não pode descambar para a mera violência retórica, como a esquerda e a direita continuam fazendo, sem qualquer contenção. Dialogar sob o mesmo teto, como fizeram Haddad e Tarcísio, não significa trair convicções ou capitular vergonhosamente diante do inimigo. Quer dizer apenas que o mundo é maior que o umbigo dos ideólogos e dos líderes populistas.
O Antagonista






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