
O Fantástico, da TV Globo, vai mostrar vídeos e áudios inéditos da investigação da Polícia Civil que baseou uma decisão da Justiça da Paraíba, nesta semana, para mandar prender o delegado Braz Morroni e dois agentes da corporação pela suspeita de desviar drogas após operações e comercializar ilegalmente o material. O programa vai ser exibido no domingo (7).

Tanto o delegado quanto Everton Aires e Eduardo Jorge Ferreira, os agentes da Polícia Civil, são suspeitos de integrar essa organização criminosa que também teriam outras seis pessoas, de uma facção criminosa, relacionadas.
Segundo a Polícia Civil, o grupo contava com a participação de agentes públicos que utilizavam a estrutura do Estado para favorecer as atividades ilícitas.
A reportagem especial no Fantástico é conduzida pelo jornalista Maurício Ferraz, que esteve presencialmente em João Pessoa, para apurar as informações. Em uma das imagens exibidas na chamada do programa, é possível ver Everton Aires falando sobre desvios de drogas por um áudio. Veja mais abaixo.
O programa vai ser exbido logo após o “Domingão”, às 20h30, no horário de Brasília.
Na operação da terça-feira (2), foram cumpridos oito mandados de prisão e 24 mandados de busca e apreensão. A Justiça também determinou o bloqueio de cerca de R$ 10 milhões dos investigados. Uma pessoa ainda foi presa em flagrante na operação.
A delegada Emília Ferraz assumiu a titularidade da Delegacia de Crimes contra o Patrimônio (DCCPAT), em João Pessoa, após a prisão do delegado Braz Morroni, que era o titular da delegacia até a prisão. A informação foi confirmada pela Polícia Civil. Ele, assim como os agentes investigados, foram afastados das funções, e um processo administrativo para apurar a conduta de ambos foi aberto pela corporação.
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Delegado recebeu dinheiro do tráfico dentro de delegacia, aponta investigação
O delegado Braz Morroni recebeu uma quantidade de dinheiro oriunda do tráfico de entorpecentes, dentro de uma delegacia. Os detalhes da investigação estão em uma decisão da Justiça da Paraíba, que o Jornal da Paraíba teve acesso.
Nessa decisão também é apontado que naquela ocasião dois investigadores da Polícia Civil, também presos pelo mesmo esquema, tentaram ficar com parte do dinheiro dessa venda ilegal específica que seria destinado ao delegado Braz Morroni.
No documento, é descrito que um dos agentes presos, Everton Aires, em 8 de dezembro de 2025, “reclamou de cobranças de drogas feitas pelo delegado” e ainda “planejou omitir do chefe uma venda de R$ 18 mil”. O outro agente é Eduardo Jorge Ferreira, conhecido como “Mão Branca”. O chefe, no caso, era considerado o próprio Braz Morroni, segundo o documento da Justiça, por conta do cargo maior que ele tinha dentro da corporação em relação aos agentes.

O documento afirma ainda que essa trâmite aconteceu com objetivo de “reter a cota do delegado e reinvestir no tráfico”. No entanto, 22 dias depois do recebimento do dinheiro oriundo da venda ilegal das drogas desviadas, a Justiça afirma que “Braz Morroni compareceu pessoalmente à delegacia para arrecadar sua cota em dinheiro”.
O segundo segundo investigador citado pela Justiça e que teria conversado com Everton sobre o descaminho ilegal da droga é Eduardo Jorge Ferreira, conhecido como “Mão Branca”.

Transferências financeiras feitas por Everton Aires, um dos integrantes dessa organização criminosa, para contas ligadas ao delegado, além de conversas interceptadas que indicariam a reserva de uma parcela dos lucros para Braz em operações de tráfico e comércio ilícito de drogas.
A investigação sustenta que Braz Morroni recebia repasses de dinheiro provenientes das negociações realizadas pelos dois investigadores, cobrava rapidez na recuperação de valores referentes a drogas vendidas a prazo e utilizava sua posição hierárquica para oferecer proteção institucional ao grupo.
Em audiência de custódia realizada pela Justiça após a prisão, foi mantida a prisão temporária de Braz Morroni, na terça-feira (2). Ele foi encaminhado para o Presídio Especial do Valentina, em João Pessoa.
O que dizem as defesas
Em contato com o Jornal da Paraíba, a defesa do delegado Braz Morroni disse que a decisão da Justiça citada que fala sobre a suposta idade do investigado para a delegacia recolher uma cota da venda de drogas, “se baseou integralmente nos relatórios policiais” e que, estes, “se utilizam de conversas indiretas, entre os agentes de policia e outros invstigados” e que “não há uma única conversa do delegado com qualquer dos envolvidos em todos os relatórios policiais”.
O advogado disse também que “isso revela que a Polícia Civil errou ao não fazer a devida individualização das condutas entre o delegado e os demais investigados”.
Ele afirmou também que o delegado “está sendo preso e injustamente acusado antes mesmo de ser ouvido, exercer o contraditório ou de que a investigação esteja encerrada”.
A defesa também disse que “repudia todas as presunções que se baseiam exclusivamente em conversas de terceiros” e que “não há uma única conversa que mostre o seu envolvimento em qualquer prática ilícita, e ao longo da investigação todos os fatos restarão devidamente esclarecidos e a inocência do delegado com efetivo serviço prestado no combate ao crime será evidenciada”.
Procurada, a defesa de um dos agentes da polícia disse que os “investigados negam categoricamente a prática dos fatos que lhes são atribuídos e confiam que, ao final da apuração, a verdade será devidamente esclarecida”. Além disso, a defesa também afirma que “as prisões decretadas possuem natureza temporária, instituto jurídico voltado exclusivamente a subsidiar o andamento das investigações, não representando qualquer juízo de culpa”.
A defesa do outro agente, Everton Aires, emitiu uma nota e informou que foi formalmente constituída na quarta-feira (3), ressaltando “sua inocência, seu compromisso com a busca da verdade real e com a garantia constitucional da ampla defesa e do contraditório” e que “o trabalho técnico para assegurar a regularidade do processo e demonstrar a realidade dos fatos está sendo executado de forma profissional”.
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